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Rui Pereira em altas no Mundial espera pela "lotaria" de Sintra

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Longe de ser um dos nomes mais mediáticos do bodyboard nacional, Rui Pereira é, neste momento, o português com melhor carreira no Circuito Mundial IBA, ocupando o 9º lugar do "ranking" GQS, à porta de entrada do Grand Slam Series. Uma entrada que, a concretizar-se, devolveria a bandeira portuguesa ao topo do bodyboard mundial. Algo que, desde a introdução do novo formato, com dois circuitos (Grand Slam Series e Global Qualifying Series), não se verifica.

 

Dissecando a carreira do bodyboarder da Caparica este ano (25º em Pipeline, eliminado nos 1/8 final do GSS main event; 11º nos Trials de Arica, eliminado nos 1/4 final; 11º no GQS de Antofagasta, eliminado nos 1/4 de final e 25º no GSS main event de Itacoatiara), ressalta uma consistência de resultados que, apesar da ausência de um fogacho de génio, não desmente o mérito de Rui, num contexto de elevada dificuldade. 

 

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Sinceramente, não é simples explicar o meu sucesso deste ano", confessa o bodyboarder de 36 anos, tentando elencar alguns factores que ajudam a construir uma resposta: "O calendário mundial é difícil e dispendioso, e nem sequer estava focado ou a pensar fazer tantas provas este ano. Mas os resultados foram-se sucedendo e as coisas ganhando forma, até que dei por mim envolvido nesta campanha."

 
Se a explicação é difícil e mais difícil ainda enumerar razões para o sucesso, uma das peça do puzzle é fácil de identificar: "Felizmente, tenho um grande apoio em casa [casou com a bodyboarder Marta Leitão este ano, no Havai]. E ter ao meu lado alguém que percebe o que estou a viver e consegue partilhar essas experiências e o que estou a passar ajuda-me muito a encontrar a motivação para ir mais longe."
 
Mas então e tecnicamente, é verdade que as ondas à volta das quais o circuito mundial da IBA foi construído este ano favorecem um atleta que, como Rui Pereira, gosta de condições extremas?
 
"Não sei se é só isso. Há outros bodyboarders nacionais que gostam de ondas grandes, casos do Luís Pereira ["Porkito"] ou o João André, entre outros. Se calhar eu tenho uma vocação competitiva que eles não têm. Depois, se queres saber, acho que tenho outra coisa: insisto. De resto, sou igual aos outros, quando chego a Arica e vejo ondas de 3 ou mais metros a quebrar em cima das pedras... É uma questão de insistência, de querer. De ir lá, ano após ano, ganhar experiência e insistir até conseguir."
 
E uma ponta de sorte...? "Honestamente, não posso dizer que tenha tido sorte este ano, não tenho é tido azares. O Mundial é muito difícil, o nível é muito alto e basta saltar-te um pé de pato durante um heat para deitar tudo por terra." 
 
Então e para Sintra, quais as perspectivas para um campeonato com ondas para "meros mortais", no Verão europeu?
 
"É uma lotaria. Normalmente, não me dou muito bem em Sintra porque as ondas nesta altura do ano não me favorecem. Para mim, o melhor mar que já vi numa prova na Praia Grande foi num Europeu, com ondas de 2 a 3 metros, que quebravam em frente à piscina e criavam um wedge que dava para todo o tipo de manobras imaginável. Mas a Praia Grande é um beach break típico, ou seja, pode acontecer de tudo. Como já disse, é uma lotaria, por isso, tenho de jogar e ver..."
 
Rui Pereira conseguiu os melhores resultados em mundiais IBA em 2010, com três 5ºs lugares, em Peniche, Florianópolis e Viana do Castelo.